O homem que foi filmado por câmeras de segurança de dois condomínios do centro de Belo Horizonte depois de assaltar lojas e escritórios em maio do ano passado, foi flagrado novamente depois de invadir uma unidade em um dos prédios assaltados anteriormente. No dia 6 de junho, ele conseguiu novamente enganar o porteiro, que não o reconheceu, e entrou e saiu pela porta da frente, sem ser incomodado. Apesar de saber que existem câmeras tanto na portaria quanto nos elevadores, o ladrão não se intimidou e não tentou tampar o rosto.
O criminoso, que chegou a ser preso em 2025, escolhe prédios que têm unidades passando por reforma. Ele se apresenta como funcionário da obra e convence o porteiro a deixá-lo entrar. Na unidade, ele age rapidamente. Arromba a porta e furta tudo de valor que conseguir carregar.
Crimes – Roubos e furtos a condomínios tem se tornado cada vez mais frequentes nas grandes cidades. A facilidade que os bandidos encontram para entrar nos prédios é o principal incentivo para os crimes. Por isso, o Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon MG) recomenda que porteiros e demais funcionários passem por treinamento de segurança e impeçam a entrada de desconhecidos.
”Os condomínios investem bastante dinheiro em equipamentos de segurança, como câmeras, cerca elétrica e alarmes. Entretanto, nada disso adianta se condôminos e funcionários não ficarem atentos às medidas preventivas. Não se deve permitir a entrada de pessoas sem identificação. Os portões devem estar sempre fechados”, afirma o presidente do Sindicon MG, advogado condominialista, Carlos Eduardo Alves de Queiroz. O presidente completa. “E outra coisa importante: não compartilhe informações pessoais com ninguém. Normalmente, neste tipo de crime, os ladrões sabem o que e onde procurar porque já foram avisados por alguém. A melhor arma contra os assaltos é a prevenção”, alerta.
Treinamento – Os criminosos sofisticaram os métodos de atuação e já não usam mais de violência para entrar nos condomínios. Eles optam por se vestir bem para se passarem por parentes de moradores ou, como no caso relatado nesta reportagem, se passam por funcionários ou prestadores de serviço.
A principal arma dos bandidos é a boa conversa, a autoconfiança e o poder de convencimento. Por isso, os funcionários precisam ser treinados para sempre desconfiar de pessoas que tentam entrar alegando que vão visitar um tio (ou outro suposto parente) ou que vão fazer uma entrega, por exemplo.
Os porteiros devem sempre interfonar para o apartamento em que os visitantes afirmam que pretendem entrar. O síndico também deve orientar os profissionais a perguntar nome e, de preferência, conferir o documento de idade, dentro das normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Caso a história contada na portaria não faça sentido, os desconhecidos devem ser barrados.
Infelizmente, é comum que alguns moradores se incomodem que convidados sejam questionados. Entretanto, esse rigor é importante para manter a segurança do condomínio.