Com as eleições se aproximando e as campanhas na rua, a população já começa a se engajar no debate político. A troca de ideias é saudável mas, nos últimos anos, infelizmente, as discussões polarizadas têm levado a graves desentendimentos. Por isso, nos condomínios, a recomendação é evitar conflitos.
A primeira coisa que mais chama a atenção nessa época são as bandeiras dos candidatos. Penduradas nas janelas, elas deixam clara a preferência por partidos e candidatos. Normalmente, cada convenção define se a colocação de bandeiras (incluindo de times de futebol) nas janelas é permitido ou não. Nos casos em que é permitido, é importante que os vizinhos se respeitem. “Apesar da rivalidade partidária, é preciso que as pessoas se lembrem que as eleições passam e a convivência vai ter que continuar. Os condôminos precisam refletir sobre que tipo de ambiente querem no prédio, amistoso ou hostil”, reflete o presidente do Sindicon MG, advogado condominialista Carlos Eduardo Alves de Queiroz.
Além disso, candidatos e apoiadores também vivem em condomínio e, naturalmente, querem conseguir votos entre os condôminos. Obviamente, é permitido que as pessoas conversem, mas essa aproximação tem que ter limites. “Ninguém quer dezenas de santinhos no seu escaninho ou debaixo da porta. Tocar o interfone, especialmente em horários de descanso, para pedir voto também não é razoável. Também não é permitido colocar material de campanha nas áreas comuns”, lembra Carlos Eduardo.
Ainda é necessário ter bom senso em relação ao som. Não só durante as eleições, mas em todas as circunstâncias, som alto incomoda em qualquer horário. Com jingles e músicas que remetam a candidatos não é diferente. Portanto, é preciso que o som seja confinado dentro da própria unidade, para evitar brigas.
Provocações, indiretas e grosserias por causa da inclinação política do vizinho também devem ser evitadas. “O voto é secreto, não é necessário que seja discutido o tempo todo. O melhor é optar pela discrição”, orienta o presidente.
Liberdade de voto – Os síndicos e administradoras também não podem questionar, nem influenciar o voto dos funcionários dos condomínios. Prometer benefícios ou ameaçar demissão por ideologia política é crime.
A Justiça do Trabalho e o Ministério Público Eleitoral em Minas Gerais firmaram uma parceria para fazer uma campanha para conscientizar os patrões sobre o direito ao voto dos funcionários. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), assédio eleitoral no ambiente de trabalho ocorre quando trabalhadores são pressionados, ameaçados, constrangidos ou intimidados, ou recebem promessa de vantagens, para votar em determinado candidato, partido ou corrente política. Também pode se caracterizar pelo uso da posição hierárquica para interferir na liberdade de escolha ou pela ameaça de consequências profissionais em razão do voto.
Se o assédio eleitoral ocorrer, o responsável pode ser processado e enfrentar penalidades tanto na Justiça do Trabalho quanto na Eleitoral. “O síndico não pode arriscar a penalizar o condomínio por convicções partidárias. Assim, deve, inclusive, evitar discutir intenção de voto com os empregados e prestadores de serviço para evitar processos futuros”, alerta Calos Eduardo.
Em 2026, os brasileiros votarão em Presidente da República, governadores, (2) senadores, deputados federais e estaduais. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro e o segundo, se houver, em 25 do mesmo mês.